Cerca de mil moradores do Morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro (capital), fecharam ontem as principais ruas do bairro para protestar contra a morte do presidente da associação comunitária da favela, Francisco ("Chicão") Hipólito Neto, 39 anos, assassinado a tiros, de madrugada, quando abria sua birosca. Segundo os manifestantes, um dos quatro PMs de plantão no Posto de Policiamento Comunitário (PPC) do morro teria matado Chicão. Já a Polícia Militar acusa pela morte o traficante conhecido como "Pedrinho da Prata", do "Comando Vermelho". Conhecido como "pai das obras" no Morro Dona Marta, Chicão era uma pessoa querida e respeitada na comunidade. Apontado por membros da Associação de Moradores como um dos melhores líderes que o morro já teve, Chicão conseguiu que as autoridades estaduais e municipais dessem vários benefícios à favela, como pavimentação, rede de esgoto, água e postes de luz. "Não temos provas, mas temos certeza de que foi a polícia que o matou. Ele sempre foi contra a violência da polícia aqui na comunidade. Chicão não tinha inimigos no morro", disse José Mário, diretor da Associação de Moradores (O Globo) (JB).