O presidente Itamar Franco pediu ontem aos líderes empresariais paulistas que pratiquem reajustes de preços "os mais razoáveis possíveis". Apelou para que continuem a investir e manter o nível de emprego e que levem a ele pessoalmente qualquer denúncia que recebam de coação sobre empresa ou cobrança de comissão por órgão do governo. O encontro do presidente com os líderes empresariais transformou-se numa manifestação de apoio ao novo governo e serviu como desagravo à reação negativa dos empresários à indicação de Gustavo Krause para o Ministério da Economia. O presidente da FIESP, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, disse que "nunca houve dúvidas quanto à competência e seriedade do novo ministro da Economia", mas apenas surpresa. O presidente da CNI, Albano Franco, definiu o encontro como "um crédito de confiança do empresariado paulista". A indicação do economista Walter Barelli para o Ministério do Trabalho, porém, foi mal recebida pelos líderes empresariais. O ex-presidente da FIESP e vice-presidente da CNI, Mário Amato, disse a Itamar que desconfiava "desse pessoal do PT e da CUT". Para ele, o ministro do Trabalho deveria ser uma pessoa com trânsito "em todas as classes" (FSP) (O Globo).