Presidido pelo ministro da Justiça, Maurício Corrêa, o Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) instaurou ontem um inquérito para apurar as responsabilidades pelo massacre na Casa de Detenção de São Paulo, ocorrido no último dia três. O próprio ministro vai visitar o presídio para investigar a chacina de pelo menos 111 mortos (número oficial). Em São Paulo, o governador Luiz Antônio Fleury (PMDB), tenta bloquear na Assembléia Legislativa a instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). O líder do governador na Assembléia, Arnaldo Jardim (PMDB), quer a criação de uma "comissão de representação". Sem os poderes da "CPI" estadual, a comissão apenas fiscalizaria os inquéritos da Polícia Civil e da PM. A Casa de Detenção contou ontem 1.922 presos no Pavilhão 9, onde ocorreu o massacre. São 174 detentos a menos do que no dia três-- os 111 mortos oficiais e 36 "desaparecidos". Estudo preliminar de um major da PM conclui que foram disparados pelo menos cinco mil balas na invasão do presídio. Até a tarde de ontem, o governo de São Paulo não havia respondido ao pedido da Anistia Internacional de que seja formada uma comissão independente para investigar a chacina na Casa de Detenção. O pedido foi enviado pelo Secretariado Internacional da Anistia, em Londres (Inglaterra), no último dia cinco. A diretora do Comitê Consultivo de Prisões da organização norte- americana Americas Watch, Joana Weschler, chega hoje ao Brasil para acompanhar a apuração do massacre. O cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, e comissões de direitos humanos pediram a participação de organizações internacionais na apuração. Os líderes do PDS na Câmara, José Luiz Maia (PI), e no Senado, Esperidião Amin (SC), pediram ontem a instalação de uma CPI mista para apurar as responsabilidades pelo massacre na Casa de Detenção. Eles acusam o governador Fleury e o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco, de sonegação deliberada de informações à imprensa e ao público em geral Advogados e padres que conhecem o Pavilhão 9 da Casa de Detenção garantem: não é lá que ficam os presos considerados mais perigosos. "Na verdade, depois do que fez, a polícia falaria isto de qualquer pavilhão apenas para se justificar", diz o padre Guilherme Sheehan, da Pastoral Carcerária. Os detentos do Pavilhão 9 são jovens, de 18 a 24 anos, e cumprem pena pela primeira vez. A maioria é condenada a pena de cinco anos e quatro meses, por assalto a mão armada sem homicídio. Também ficam no Pavilhão 9 presos em trânsito para outras penitenciárias (FSP) (O Globo) (JB).