MERCOSUL EXIGE ABATE DE NOVILHOS PRECOCES

A criação do MERCOSUL está exigindo algumas mudanças em diversos setores da economia gaúcha. Na área de produtos de carne bovina, por exemplo, o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs) colocará em prática um programa para elevar a qualidade do produto e, com isso, aproximar-se da oferta qualificada da Argentina. Temos que abater muito mais novilhos jovens, com idade não superior a 30
50912 meses, propõe o presidente do Sicadergs, Ary Lange, explicando que é uma prática comum no vizinho país. Segundo ele, apenas 25% dos abates de 2,1 milhões de cabeças por ano, realizadas nos frigoríficos do Rio Grande do Sul, são de animais de até dois anos. "Vamos ter que estimular a criação de novilho precoce, caso contrário perderemos a melhor fatia do mercado", afirmou. Com uma produção de 460 mil toneladas de carne bovina, exportações equivalentes a US$85 milhões anuais, a pecuária gaúcha é responsável por 10% do setor no país. "Mas estamos perdendo posição para o Brasil Central, que tem clima e tecnologia bem mais adequados", disse Lange. Ele defende a produção de carne bovina com marca própria para um consumo de elite. "Em todos os países, a carne é um produto nobre", compara (JC).