As 500 maiores empresas privadas e as 50 maiores estatais do país deixaram de faturar, nos últimos três anos, US$166 bilhões. Essa é a conta do que elas deixaram de produzir e vender devido ao encolhimento do mercado. Responsável pela política recessiva, o governo federal foi vítima de seu próprio veneno. Deixou de arrecadar pelo menos US$39,8 bilhões em impostos sobre circulação de mercadorias e sobre os lucros das empresas. As informações constam de pesquisa realizada pela Price Waterhouse. Apesar do quadro pessimista, a empresa de consultoria prevê uma tímida recuperação da economia, com o consequente aumento do nível de emprego, que deve crescer 2,9% no próximo ano. De acordo com a Price Waterhouse, a economia deverá continuar funcionando sem, no entanto, apresentar crescimento significativo no curto prazo, devido à ausência de um planejamento do setor produtivo para novos investimentos. A inflação ficará estável no patamar entre 21% e 22% até o final do ano e a média mensal prevista para 1993 é de 17%. Segundo a pesquisa da Price Waterhouse, grande parte das 500 maiores empresas do país estão trabalhando para atuar no MERCOSUL. Dos entrevistados, 59,8% responderam que irão orientar suas ações para aumentar as exportações aos países-membros do acordo. Uma parcela de 31,3% não avaliou ou não planeja nenhum movimento específico referente ao MERCOSUL, enquanto 20,5% mostraram preocupação com o acirramento da concorrência nos segmentos que atuam. Igual percentual (20,5%) revelou-se interessado em importar da Argentina, Paraguai e Uruguai, e cerca de 18% das empresas consultadas planejam associações com parceiros desses países. A situação do produto nacional é confortável na comparação com o padrão do similar sul-ameericano. A equivalência de grau de competitividade nesse mercado foi admitida por 34,2% dos entrevistados e 64% dos consultados qualificaram seus produtos como superiores aos similares sul-americanos (O Globo) (GM).