O MASSACRE NO PRESÍDIO DE SÃO PAULO

Os seis comandantes da Polícia Militar que participaram do massacre na Casa de Detenção e o diretor do estabelecimento, José Ismael Pedrosa, foram afastados ontem de suas funções pelo governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury (PMDB), para a apuração do caso, que está sendo feita em três inquéritos. O governador manteve, porém, o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos. Os policiais militares afastados são os comandantes da Polícia Metropolitana, coronel Ubiratan Guimarães (que se feriu na operação); do Policiamento de Choque, coronel Wilton Brandão Parreira; do 1o., 2o. e 3o. batalhões de choque, tenentes-coronéis Antônio Chiari, Édson Faroro e Luiz Nakaharada; e o do GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais), capitão Wanderley Mascarenhas. "Foi uma tragédia. Lamento profundamente. Acho que houve excessos pelo número de mortes. Vamos procurar individualizar as responsabilidades e os excessos praticados serão punidos", afirmou o governador. Os responsáveis pelas três investigações são: o sub-comandante da PM, coronel Luís Gonzaga de Oliveira, cuidará do IPM (Inquérito Policial Militar); o diretor do DECAP (Departamento de Delegacias da Capital), delegado Cláudio Gobetti, dirige o inquérito policial civil; e a sindicância, da Secretaria de Segurança Pública, fica a cargo do promotor de Justiça aposentado, corregedor Moisés Macedo. Todos eles ocupam cargos de confiança do secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos. Quatro dias após o massacre no Pavilhão 9, o balanço oficial do número de mortos é cada vez mais contestado pelos parentes dos presos. Para eles, as vítimas ultrapassam 111. O padre Guilherme Sheehan, da Pastoral Carcerária, disse que o total de mortos chega a 246, segundo contagem geita pelos detentos e funcionários do presídio. O prazo de 72 horas para a identificação dos corpos já acabou e 40 ainda não foram reconhecidos. O IML começa hoje a preparar o sepultamento dos cadáveres não-reclamados, que serão enterrados como indigentes. Até ontem, 60 presos haviam sido enterrados em seis cemitérios. O procurador-geral da República, Aristides Junqueira, encaminhou ofício ao ministro da Justiça, Maurício Corrêa, pedindo que a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) abra inquérito para apurar o caso. "É estarrecedor, não posso ficar omisso diante de um fato inusitado de tamanha gravidade", disse. O ministro da Justiça afirmou que colaborará no que estiver a seu alcance para o esclarecimento da chacina e acrescentou: "O que eu aguardo é que o governador Fleury, em quem tenho absoluta confiança, apresente o mais rápido possível a conclusão do inquérito para que, se houver culpados, eles sejam apresentados ao povo brasileiro e tenham a punição devida". Para a Fundação Penitenciária Internacional, órgão consultivo da ONU, o massacre na Casa de Detenção é o maior já registrado no mundo em casos de rebelião. Um representante da Fundação virá ao Brasil para acompanhar a apuração do caso (O ESP) (JC) (FSP).