AUMENTO REAL DE 17% PODE ADIAR REAJUSTES DAS TARIFAS PÚBLICAS

As tarifas públicas não devem estar entre as principais preocupações da nova equipe econômica do governo. O aumento real de 17% alcançado por esses preços-- combustíveis, telefone, energia elétrica e correio, entre outros-- frente à média do ano passado, permite interromper os reajustes reais (acima da inflação) nos próximos dois meses, sem prejudicar o plano de recuperação. Ao cumprir uma das metas prometidas ao FMI, o governo Collor aproveitou para melhorar o faturamento das estatais e, em consequência, do Tesouro Nacional. Dados oficiais indicam que entre janeiro e julho deste ano, apesar da recessão, as estatais aumentaram em 12,49% reais o faturamento em relação à média do mesmo período de 91. As tarifas de telefone subiram desde janeiro 713,95% contra a inflação de 551,26% (IGP-M). Sem o aumento de outubro-- que entraria em vigor hoje, mas deve ser adiado por alguns dias por causa da transição do governo--, o óleo diesel aumento 624%. As tarifas postais subiram 789% e a única que perdeu para a inflação foi a energia elétrica-- 482,5% (FSP).