Mesmo tendo contribuído, e muito, para a admissibilidade do Impeachment" de Fernando Collor, o movimento sindical brasileiro pretende acompanhar bem de perto o governo Itamar Franco e, de pronto, quer mudanças na política salarial. Vicente Paulo da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema (SP), diz que a lei em vigor (8.222) deve ser revogada em favor de uma fórmula que, no mínimo, os salários percam a corrida para a inflação. "Mas tem também os atrasados, as perdas acumuladas. Sabemos que não dá para recuperar tudo do dia para noite, mas isso deve ser previsto para o médio prazo", diz. Na média, o pensamento dos sindicalistas converge para a correção mensal dos salários pela inflação do mês anterior. Paulo Pereira da Silva, vice-presidente da Força Sindical em São Paulo, acha que Itamar tem de se pautar em mais empregos, mais salários e menos impostos. Sérgio Mendonça, diretor-técnico do DIEESE, analisa a questão com outra visão. Para ele, o movimento sindical amadureceu. "Hoje se pensa também em discutir outras questões da economia, como tecnologia, produtividade, negociação coletiva". Mendonça continua considerando os salários como a questão mais importante, mas tem um pé em cada canoa. "Temos de dialogar acerca do crescimento econômico, pensar na trajetória da inflação e traçar a melhor forma de correção para os rendimentos", diz. Jair Meneguelli, presidente da CUT, lembra um documento recentemente fechado entre as três centrais trabalhistas do país: "CUT, CGT e Força Sindical chegaram ao consenso de que o caminho é a recuperação do salário-mínimo. O ideal seria um piso de US$350 mensais, mas estamos em US$70. A recuperação será lenta e gradual", afirma. Sérgio Mendonça vai mais longe: "Não adianta ter uma belíssima política salarial com desemprego. Nesse caso, o salário passa a ser zero para muitos e a lei protegerá só quem estiver empregado" (JB).