Em substituição à política liberal do ex-ministro Marcílio Marques Moreira, a equipe econômica do governo Itamar Franco elegeu a negociação política-- com o Congresso, empresários e trabalhadores-- como instrumento de combate à inflação. Os ministros da Economia, Gustavo Krause, e do Planejamento, Paulo Haddad, já deixaram claro que manterão o controle dos gastos públicos, o combate à sonegação e à corrupção, além de juros reais para impedir o aumento abusivo de preços, enquanto não for implementada a reforma fiscal e a modernização da indústria. Na essência, as reformas estruturais iniciadas em 1990 serão mantidas. Os ministros não decidiram ainda eventuais mudanças na forma e no ritmo de sua execução. Outro ingrediente resgatado pelo governo Itamar é a volta do planejamento das ações públicas, cuja ausência foi apontada pelos novos ministros como responsável por muitos erros das duas equipes que conduziram a economia no governo Collor, mais preocupadas com resultados de curto prazo. O ministro Paulo Haddad disse que o governo Itamar não vai mexer, de imediato, na política salarial. O sistema atual só será alterado dentro de uma nova política econômica, argumentou, porque "o quadro está muito confuso". Haddad assegurou que também o programa de abertura da economia, com a redução gradual das alíquotas de importação, vai continuar. E observou que já está na hora de acabar com a reserva de mercado que a indústria brasileira desfrutou durante 50 anos. O novo presidente da FIESP, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, disse estar disposto a aceitar uma trégua nos reajustes de preços e salários, para evitar a disparada da inflação. Mas quer do governo o compromisso de que as tarifas públicas não serão reajustadas. O presidente da ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados), Levy Nogueira, disse ser favorável à idéia de um pacto para o controle dos aumentos, mas com a condição de que a negociação não seja coordenada pelo governo. Sua proposta é a criação de "pequenas constituintes", com representantes dos trabalhadores, de empresários, do Legislativo, Judiciário e Executivo para discutir preços e salários (O Globo).