O número de mortos na rebelião de anteontem na Casa de Detenção de São Paulo chega a 108. O cálculo é da OAB-SP. A Secretaria de Segurança Pública do estado assumia, até à tarde, "mais de cem mortes". Outras informações contam até 111 o número de mortos. Trata-se do maior massacre em um sistema penitenciário brasileiro-- o último motim, em 1985, deixou saldo de 31 mortos. Em reunião extraordinária, a OAB condenou a intervenção da tropa de choque. "É uma violência inadmissível por parte da polícia, afirmou José Roberto Batochi, presidente da OAB-SP. Ele disse que a população já demonstrou que "não aceita a corrupção e o Estado delinquente. Com igual razão, vai repudiar a violência institucional desse Estado delinquente". O governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury (PMDB), evitou comentar o massacre. Irritado, disse que não era secretário de Segurança e que caberia ao secretário (Pedro Franco de Campos) fazer o balanço da operação. Fleury qualificou a invasão na Detenção como uma "ação policial" para combater "briga de quadrilhas". Duas freiras que fazem parte da Pastoral Carcerária disseram ter visto 13 corpos de presos que teriam sido mortos dentro de suas celas com as mãos amarradas para trás. A rebelião de presos no pavilhão nove (onde ficam cerca de dois mil presos) envolveu quase mil presos e 300 policiais da tropa de choque, segundo o diretor do presídio, José Ismael Pedrosa. Até ontem à tarde todos os 14 policiais feridos (nove a bala, quatro a pauladas e um atingido por uma explosão) durante a rebelião passavam bem. Trinte e cinco presos ficaram feridos. Parentes dos presos se aglomeravam ontem em frente à penitenciária. Gritando palavras de ordem contra o descaso da direção da Casa de Detenção, eles pediam informações e queriam que os repórteres tivessem acesso ao interior da penitenciária. O portão estava cercado por policiais que chegaram a soltar os cães contra os manifestantes (FSP) (O Globo) (JB).