Um acordo entre o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e os quatro países signatários do MERCOSUL (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) vai resultar na aplicação de US$8,6 milhões em projetos técnicos sobre a região. Parte desses recursos será utilizada pelo subgrupo 8, responsável pela identificação das atividades agrícolas que serão competitivas e aquelas que deverão ser reconvertidas. O contrato com o BID deve ser assinado até o final do ano, quando os recursos começarão a ser repassados em 24 parcelas mensais. Do total de US$8,6 milhões, US$4 milhões são recursos do banco (US$760 milhões em divisas e o restante em moedas locais) e a outra parcela é a contrapartida dos quatro países. Segundo Jaime Mano Júnior, integrante da missão do BID no Brasil, as negociações estão em fase de conclusão, mas ainda não foram definidas as contribuições de cada país. O coordenador do subgrupo 8 e secretário nacional de Política Agrícola, Celso Matsuda, diz que tanto a produção de trigo como de vinho do Brasil não perderão espaço diante da pressão argentina. Na sua avaliação, uma vez que a produção brasileira de trigo-- em torno de três milhões de toneladas-- não é suficiente para atender à demanda, o trigo argentino será somado à oferta nacional. No caso do setor vitivinícola, já há demonstrações de que os investimentos têm se concentrado na indústria de sucos. O Brasil tem vantagens nesta área porque a uva produzida na Argentina não tem aroma nem sabor que atendam às exigências da indústria, ao contrário da produção nacional (GM).