De 1980 a 1990, o uso de agrotóxicos praticamente dobrou no Brasil, hoje o terceiro consumidor mundial. Mas esse crescimento não foi acompanhado de normas legais para o seu uso, nem fiscalização dos abusos. Por esses motivos, cerca de 700 mil camponenses nordestinos querem impor restrições à aplicação desses produtos. Eles moram na região canavieira de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe. Nos cinco estados, apenas 10% dos lavradores que trabalham com esses produtos têm acesso a equipamentos de segurança, segundo denúncia da CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura). Os 142 sindicatos dos lavradores da zona açucareira do Nordeste deflagraram campanha salarial unificada na semana passada. E entre as 71 cláusulas apresentadas, pelo menos 12 exigem limites ao uso de agrotóxicos. Eles pediram a proibição completa dos herbicidas altamente tóxicos. Eles não querem mais usar produtos como Gramoxone, Gramoxil e Tordon. Herbicidas considerados menos tóxicos, como Gesapax, Azulox, Centin, Combine e Roundu são admitidos pelos lavradores dos cinco estados, desde que a cana não tenha atingido altura superior a um metro. Os camponeses querem proibir também que menores de idade, gestantes e trabalhadores com mais de 40 anos lidem com agrotóxicos. Exigem ainda equipamentos de proteção individual como luvas, capas, filtros para respirar e botas. Os canavieiros estão exigindo, também, a realização de exame médico a cada 30 dias e direito a um litro diário de leite. Querem que, como determina o próprio receituário, que a aplicação de agrotóxicos ocorra nas horas frescas do dia, ou seja, no início da manhã ou ao entardecer. Outra reivindicação é que a manipulação de agrotóxicos seja proibida aos analfabetos e que nenhum trabalhador lide com esses produtos por período superior a dois meses (O Globo).