COLLOR É AFASTADO E ITAMAR ASSUME

O presidente Fernando Collor de Mello assinou às 10h18 de ontem o documento que o afasta do cargo por pelo menos 180 dias. Foi vaiado e xingado por cerca de 30 funcionários públicos, a maioria do Senado, e aplaudido por igual número de funcionários da Presidência, perfilados para a despedida. "Eu desejo que este ato seja uma contribuição da nossa geração para o aperfeiçoamento da democracia no Brasil", disse a Collor o primeiro-secretário do Senado, Dirceu Carneiro (PSDB-SC), encarregado da entrega do documento. Collor saiu do Palácio do Planalto pela porta lateral que dá acesso ao heliporto e seguiu para a Casa da Dinda. Antes de ser afastado do cargo, Collor assinou carta dirigida à população, onde afirma que deixa o cargo "com a consciência e a alma limpas". Diz que as investigações que levaram a Câmara a afastá-lo do cargo "foram pessoalmente por mim determinadas". Afirma ter convicção de que não perdeu "o afeto do coração do povo", que "se tornará mais confiante quando conhecer a verdade". Afirma ainda que "devo afiançar que, em nenhum momento, deslustrei a dignidade das minhas funções". Itamar Augusto Cautiero Franco assumiu a Presidência da República às 10h27 com críticas ao governo Collor: "Permita Deus que nós possamos dar ao país um governo transparente. O mapeamento ético foi traçado pela CPI, mas ele não serve a nós, porque a nossa vida e a vida daqueles que estarão comigo é uma vida limpa. A nação pode estar certa de que não haverá corruptos nesse governo", declarou, após receber a comunicação do Senado (O ESP) (FSP) (O Globo) (JB).