A Resolução do Banco Central que permitiu as aplicações em bolsas de valores, futuros e opções para pessoas físicas e jurídicas entre o Brasil e os demais países integrantes do MERCOSUL favorece as aplicações de brasileiros na Argentina, por exemplo, e não a mão inversa, segundo observou ontem o presidente da BOVESPA (Bolsa de Valores do Estado de São Paulo), Alvaro Augusto Vidigal. Os argentinos não pagam impostos em seu país e no Brasil terão que pagar os 25% incidentes sobre ganhos de capital. No caso das pessoas jurídicas, as aplicações já podem ser feitas pelo anexo IV, que não é taxado. Mesmo assim, Vidigal não acredita que a medida poderá tirar dinheiro das bolsas brasileiras. O mercado brasileiro é melhor que o argentino, diz. Mas isso no momento, o que não significa que a situação não possa mudar. Por isso, o presidente da bolsa, mesmo aplaudindo a Resolução como bastante positiva para a abertura do mercado, defende a realização de um pleito conjunto dos representantes do mercado e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), junto à Receita Federal, para a eliminação do imposto. O presidente da BM&F (Bolsa de Mercadorias e de Futuros), Manoel Pires da Costa, também defendeu um esforço conjunto para a compatibilização do imposto com o dos demais países do MERCOSUL. Para ele, porém, a Resolução foi um passo importante para a desregulamentação do mercado. A Resolução também não animou o presidente da BVRJ (Bolsa de Valores do Rio de Janeiro), Carlos Reis. Segundo ele, a tributação no Brasil inibirá a atração de investidores dos outros três países do MERCOSUL. "Nós, das bolsas, estamos fazendo a nossa parte e preparando a interligação dos mercados do MERCOSUL. Mas a integração das bolsas do MERCOSUL só acontecerá, efetivamente, se esta questão for resolvida", enfatizou Carlos Reis (GM).