O reaquecimento de investimentos nas indústrias depende fundamentalmente da disposição do governo Itamar Franco de baixar as taxas de juros. Empresários paulistas lembram que há 12 meses o Brasil vive uma estagnação causada pelo aperto monetário administrado pelo ministro Marcílio Marques Moreira (Economia), que até agora não deu resultado. Para o presidente do grupo Itamarati, Olacyr de Moraes, o Brasil já poderia estar gerando um PIB de US$700 bilhões/ano, contra os atuais US$400 bilhões. "Estamos há 10 anos nessa situação. É claro que a próxima equipe econômica precisa ser cautelosa, mas não podemos mais ficar estagnados", disse. A implantação de um ajuste fiscal de emergência ainda este ano, destinado a garantir o orçamento do governo para 1993, é considerado como quase certo. Mas o presidente da ANFAVEA, Luiz Adelar Scheuer, ressalta que o futuro governo precisa se esforçar também na realização de acordos setoriais para garantir o desenvolvimento. Mesmo defendendo a redução das taxas de juros, alguns empresários admitem que somente a médio prazo essa medida teria efeitos abrangentes. O secretário da FIESP, Roberto Nicolau Jeha, lembra que o cronograma de investimentos das empresas está encerrado neste ano e somente em 1993 poderia haver alguma mudança. "O fim do aperto monetário poderia diminuir rapidamente a ociosidade das companhias, que gira em torno de 50%", afirmou (O Globo).