Uma pesquisa feita entre prostitutas do centro de São Paulo mostrou que 90,28% delas usam lubrificantes que danificam o preservativo. A médica Verônica Hughes, consultora do programa de prevenção à AIDS da Secretaria Estadual de Saúde, constatou que esses lubrificantes podem estourar a camisinha ou provocar furos microscópicos que permitiram a passagem dos vírus da AIDS, sífilis e hepatite. Desinformadas e acreditando que vão estar livres de doenças, as prostitutas entrevistadas lubrificam os preservativos com todo tipo de cremes e pomadas. A maioria delas utiliza fungicidas e bactericidas, mas há quem use anti- histamínicos, corticóides, cremes para cabelos e óleos minerais. Apenas dois de nove preservativos vendidos no país passaram nos testes de qualidade segundo critérios internacionais. A Jontex, da Johnson & Johnson, e a Olla, fabricada pela Inal, atingiram níveis de qualidade aceitáveis de acordo com as normas adotadas pela CEE. As duas marcas somam cerca de 60% do mercado. Os testes foram feitos pelo IPT (Instituto de Pesquisa Tecnológicas) a pedido da Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo e da Defesa do Consumidor. No teste, ficaram abaixo dos níveis de qualidade as camisinhas Blowtex, nacional, e as importadas Fantasy, Premium, Preserv, Prudence, Supersex e Unidus. Embalada por importadoras, a grande maioria desses preservativos vem de países do Extremo Oriente. Os fabricantes e importadores dos preservativos testados pelo IPT assinaram ontem um "termo de compromisso" prometendo adaptar seus produtos aos níveis de qualidade exigidos em normas internacionais (FSP).