A política econômica vai mudar com a posse de Itamar Franco na Presidência da República. As questões sociais, como o combate à miséria, merecerão maior atenção, garantiu ontem o economista Paulo Haddad, ministro confirmado do Planejamento do novo governo. Essas e outras metas que dão a linha geral da política econômica de Itamar para os primeiros 90 dias estão definidas em um documento de três páginas. Ao entregá-lo ontem ao vice-presidente, sem revelar o teor das propostas sobre a reforma fiscal, privatização e relacionamento com o FMI, Haddad garantiu, porém, que não haverá dolarização da economia, confisco de ativos, prefixação de preços e salários e congelamento. A inflação precisa reverter a sua tendência de alta e, para isso, o governo Itamar Franco precisará do apoio da sociedade, disse. O governo tem condições de reduzir as taxas de juros e retomar os
50842 investimentos sociais, mas precisa ter uma salvaguarda de que isso será
50842 respondido com investimentos e empregos e não com o aumento de preços, disse Haddad. Ele considerou perigosa a redução das taxas de juros com a inflação ascendente e prematuro retomar o crescimento sem ter a inflação controlada. O economista mineiro Paulo Haddad, 53 anos, tem, entre suas maiores preocupações, a recuperação do poder aquisitivo, principalmente do salário-mínimo. Como presidente do Instituto JK de Pesquisas Sócio- Econômicas e Políticas do Clube de Diretores Lojistas de Belo Horizonte (MG), ele desenvolveu recentemente um estudo nesse sentido. Haddad foi secretário de Planejamento de MG durante os três primeiros anos do governo Francelino Pereira e titular da Fazenda no último ano. Apesar de considerado um técnico e planejador "competente", ele é tido também como conservador e pouco ousado. Os seus opositores consideram preocupante o fato de Haddad ser pouco incisivo em suas posições enquanto opositor da política heterodoxa (O ESP) (FSP) (JB).