RELATÓRIO SOBRE BCCI ACUSA EX-EMBAIXADOR

O envolvimento do ex-secretário-geral do Itamarty e ex-embaixador do Brasil em Washington (EUA) Sérgio Correa da Costa com o BCCI (Bank of Credt and Commerce International) foi mais extenso do que se sabia até agora. O relatório final da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA sobre as ramificações internacionais do maior escândalo financeiro da história, divulgado ontem, revela que, além de ter servido como testa-de-ferro dos interesses do BCCI no Brasil, o ex-diplomata foi o iniciador das relações do banco com a empresa de "lobby" do ex-secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, e pode ter operado como agente em outras iniciativas. O relatório sustenta que a operação de compra de participação majoritária do banco que se tornaria a filial brasileira do BCCI, com a intermediação de Correa da Costa e do advogado Carlos Leoni Siqueira, foi montada para "burlar as leis bancárias do Brasil". A relação de Correa da Costa com a Kissinger Associates terminou de maneira patética, no final de 1988, com o ex-embaixador reclamando da falta de pagamento de seus honorários, depois que a firma de "lobby" do ex-secretário de Estado estabeleceu um canal próprio no BCCI, por meio do economista Alan Stoga. Ao deixar a embaixada em Washington, no final de 1986, além de trabalhar para o BCCI, por um fixo de US$150 mil por ano, Correa da Costa assinou um contrato com a Kissinger Associates. Seus honorários foram estipulados em US$40 mil por ano, pagos em parcelas trimestrais de US$10 mil, mais uma comissão por negócio que fizesse para a empresa no Brasil. Em setembro de 1988, como Correa da Costa não tivesse produzido um único centavo para Kissinger, o contrato foi encerrado (O ESP).