O presidente afastado Fernando Collor de Mello tem certeza de que a sua saída do governo será irreversível, mas está preparado para levar até o fim o seu julgamento no Senado Federal, descartando a possibilidade de renúncia. Ele espera mostrar no Senado que há outros políticos no país envolvidos com corrupção ou irregularidades administrativas. Collor admitiu a parlamentares aliados que será difícil escapar de uma investigação que incluirá a quebra de sigilo das suas contas bancárias e uma devassa nos seus bens, feita pela Receita Federal. Para não deixar o cargo como único símbolo da corrupção, ele espera atingir seus adversários e os ex-aliados que o traíram na votação do Impeachment". Um de seus trunfos será a lista de parlamentares que receberam dinheiro do esquema PC. Collor definiu ontem sua equipe de assessores diretos, que irão ajudá-lo durante os 180 dias previstos para o julgamento final no Senado. A equipe será formada por cinco assessores: o porta-voz Etevaldo Dias, o embaixador Marcos Coimbra, o assessor jurídico Gilmar Mendes, o diplomata Oto Maia, da Secretaria-Geral da Presidência, e Luís Carlos Chaves, da atual equipe de assessores de Collor no Palácio do Planalto. O presidente afastado também vai continuar contando com os trabalhos do oficial da PM de Alagoas Dário César Cavalcanti e com ajudantes-de-ordens (FSP) (JB).