A REPERCUSSÃO DA APROVAÇÃO DO "IMPEACHMENT"

Intelectuais, governadores, políticos, religiosos, líderes sindicais e empresariais, entre outros, comentaram a aprovação pela Câmara dos Deputados do Impeachment" do presidente Fernando Collor. A seguir algumas dessas opiniões: Miguel Reale (jurista)-- "O povo não está somente contra o governo Collor, mas contra todo e qualquer político que não saiba honrar o voto que recebeu". Ennio Candotti (presidente da SBPC)-- "Virou-se uma página da história. Contribuíram para isso a mobilização da opinião pública, o Congresso e a imprensa". Barbosa Lima Sobrinho (presidente da ABI)-- "Estou aliviado com o resultado. Não só eu como o Brasil. Foi a decisão mais importante da história da República. Agora é esperar o Senado e a Procuradoria da República". Leonel Brizola (governador do RJ)-- "Já esperava este resultado. Penso que o novo presidente deva organizar um governo como se fora exercê-lo até o fim do mandato, e não só por seis meses". Luiz Antônio Fleury (governador de SP)-- "Tivemos hoje uma demonstração de maturidade política do país. Agora, a tarefa é auxiliar o próximo governo". Joaquim Francisco (governador de Pernambuco)-- "Precisamos aproveitar esta energia do povo para construirmos a nação que queremos, que não será feita em dois, três ou cinco meses". Dom Luciano Mendes de Almeida (presidente da CNBB)-- "O mais importante da decisão tomada pelo Congresso é que o Brasil reencontra um ambiente favorável para poder novamente se desenvolver e voltar a crescer. Estou certo e confiante que o país vai melhorar afastando de vez a corrupção de todos os níveis da vida pública". Pastor Jaime Wright (secretário-geral da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil)-- "É uma decisão histórica que reestabelece na política os valores judaicos-cristãos da ética e da moral". Rabino Henry I. Sobel (presidente do Rabinato da Congregação Israelita Paulista)-- "Vencemos uma batalha contra a corrupção, mas não a guerra. A vitória definitiva virá somente quando forem afastados todos os corruptos". Dom Paulo Evaristo Arns (cardeal-arcebispo de SP)-- "É o fim da impunidade e o começo da corresponsabilidade democrática. O amadurecimento, no exercício da democracia e na prática da ordem constitucional". Roberto Marinho (presidente das Organizações Globo)-- "Foi uma posição democrática, em resposta a um inquérito que mostrou uma situação de anormalidade administrativa. Concordo com esse resultado com mágoa, porque pessoalmente gosto do presidente". Matias Machline (presidente do grupo Sharp)-- "O mais importante é que o Brasil acabou de entrar para o mundo dos países desenvolvidos como um dos mais democráticos do mundo". Antônio Carlos Magalhães (governador da BA)-- "Não tenho bons prognósticos para a administração Itamar Franco. Vamos aguardar e ver se ele consegue vencer todas as crises e problemas com sua competência administrativa". Helio Mattar (coordenador-geral do PNBE)-- "O presidente Collor nos propôs uma revolução moral e ética e, efetivamente a contragosto, levou essa revolução adiante. Somos agora mais cidadãos, porque conseguimos fazer com que a vontade da sociedade fosse ouvida pelo Congresso". Mário Amato (vice-presidente da CNI)-- "A voz do povo foi magnificamente representada por seus parlamentares. Resta agora usar a força dessa vitória para transformar o Brasil num país forte". Carlos Eduardo Moreira Ferreira (presidente da FIESP)-- "Agora o país vai voltar a funcionar. A nação foi engrandecida, a democracia funcionou plenamente e cabe agora ao Senado conduzir a fase final do processo". Vicente Paulo da Silva (presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo/Diadema)-- "A luta não acabou com a saída de Collor e a subida do vice-presidente ao poder. É fundamental que os trabalhadores exijam de Itamar mudança na política econômica atual". Luiz Antônio de Medeiros (presidente da Força Sindical)-- "O impeachment não encerra a crise política e não oferece as condições que o país precisa para combater a inflação, acabar com a crise econômica e retomar o desenvolvimento". Abran Szajman (presidente da FECESP)-- "Esperamos que desta votação histórica não se tirem conclusões equivocadas. As reformas estruturais não estão em causa". Luís Fernando Veríssimo (escritor)-- "Só desejo agora que esse movimento pela ética não pare. Falta muito para ser limpo". Antônio Fagundes (ator)-- "Foi a maior prova de que ainda podemos confiar no ser humano e acreditar no futuro". Eduardo Azeredo (prefeito de Belo Horizonte)-- "É um momento histórico para o Brasil e também significa a volta de Minas Gerais à Presidência da República". Jaime Lerner (prefeito de Curitiba)-- "Esta é uma das poucas vezes em que a vontade popular foi respeitada no país". Herbert de Souza (secretário-executivo do IBASE)-- "Agora temos condições de construir o futuro, com Itamar e com a Constituição de 88. O Brasil conseguiu sair do abismo da corrupção, da loucura e da criminalidade. Toda vez que a voz das ruas é ouvida, o país avança". José Roberto Batocchio (presidente da OAB-SP)-- "O Congresso Nacional fez justiça à confiança nele depositada pela nação". Luiza Erundina (prefeita de SP)-- "Mostramos ao mundo que o nosso povo é capaz de eleger um presidente, com um grande apoio popular, e também é capaz de destituí-lo, usando esse mesmo apoio popular, de forma democrática e sem derramar sangue". Nilton Cerqueira (presidente do Clube Militar)-- "A Câmara atendeu à expectativa da opinião pública nacional e confirmou o primado da lei sobre aqueles que pensavam estar acima da Constituição". Orestes Quércia (presidente do PMDB)-- "Collor não tem condições de governar nem em 180 dias nem nunca. E o Itamar deve governar até o final do mandato". Jô Soares (humorista)-- "A votação do Congresso fez com que o presidente Collor cumprisse pelo menos uma promessa: a de colocar o Brasil no Primeiro Mundo. O Congresso está de parabéns porque representou a verdadeira vontade popular numa atitude democrática de Primeiro Mundo" (JB) (FSP) (O ESP) (O Globo) (O Dia) (GM).