TINOCO DISTRIBUIU CR$55 BILHÕES CONTRA O "IMPEACHMENT"

Na mesma trilha do ex-ministro da Ação Social, Ricardo Fiúza, e os presidentes do BB, Lafaiete Coutinho e da CEF, Álvaro Mendonça, o ministro da Educação, Eraldo Tinoco (PFL-BA), vem usando verbas a fundo perdido para conquistar parlamentares contra o pedido de Impeachment" do presidente Collor. Segundo levantamento feito por este jornal, desde 14 de setembro o ministro liberou mais de Cr$55 bilhões em convênios com prefeituras, governos estaduais e instituições educacionais. Técnicos do Ministério calculam que o Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE), de onde sai a maior parte do dinheiro contra o Impeachment", ainda dispõe de Cr$500 bilhões dos quase Cr$2 trilhões previstos no orçamento. Antes de se tornar ministro, Eraldo Tinoco, então deputado pelo PFL, foi relator do orçamento de 1992 do Ministério da Educação na Comissão de Orçamento do Congresso. Nessa condição, não só garantiu a inclusão de projetos de seu interesse como montou um mapa com todas as emendas apresentadas pelos outros deputados. O campeão da destinação de verbas do governo para a área de educação é o deputado João Carlos Bacelar, que se desligou do PMDB para apoiar Collor na votação da Câmara. No "Diário Oficial" da União de 1o. de setembro, aparece a dotação de Cr$11,8 bilhões para a Escola Técnica Federal de Barreiras (BA), item incluído por Bacelar no orçamento. O "homem dos números" da "tropa de choque" do governo, deputado Basílio Vilani (PRN- PR), também é bom em cifrões. Só o "DO" de 18 de setembro traz sete convênios, no total de Cr$333 milhões, apadrinhados por Vilani no orçamento (O Globo).