PIORAM AS CONDIÇÕES DE TRABALHO EM SÃO PAULO

Os estragos da recessão na mão-de-obra do país vão além das altas taxas de desemprego. A população hoje ocupada enfrenta forte deterioração nas condições de trabalho. Parte dos trabalhadores dispensados pela indústria está sendo absorvida por outros setores, mas de forma precária. A remuneração é menor e a contratação informal, sem carteira de trabalho assinada. Os dados são do DIEESE. "Nos últimos dois anos e meio, a composição da força de trabalho se tornou muito mais precária, devido à queda brutal do nível de ocupação na indústria, que oferece um emprego mais protegido e com remuneração melhor", diz Sergio Mendonça, diretor-técnico do DIEESE. No ano passado, segundo pesquisa da entidade, 79,5% dos trabalhadores na indústria da Grande São Paulo tinham carteira de trabalho assinada, enquanto só 41,5% no comércio e 38% no setor de serviços estavam amparados pela legislação. Além disso, enquanto a remuneração média na indústria paulista neste ano chegou a Cr$1,5 milhão, a atividade de serviços ficou em Cr$1,1 milhão e a do comércio em Cr$948 mil. A participação da indústria no mercado de trabalho na Grande São Paulo, segundo o DIEESE, caiu de 33% em 1989 para 26,5% este ano. Entre agosto do ano passado e agosto deste ano, o setor eliminou 191 mil postos de trabalho na região. Parte dos demitidos pela indústria foi absorvida pelo setor de serviços, cuja participação no mercado de trabalho da região passou de 41,3% para 45,4%, e pelo comércio, que aumentou sua absorção de 14,8% para 16,3% (O ESP).