BRASIL LAVA DINHEIRO DO NARCOTRÁFICO

O Brasil serve como lavanderia para cerca de US$240 milhões por ano, recursos gerados apenas no tráfico internacional de drogas. Com produção, venda e consumo no mercado interno, o valor sobe para cerca de US$720 milhões. É uma atividade clandestina em alta, que sobrevive às intempéries da crise e tem o maior volume de negócios no eixo Rio de Janeiro-São Paulo. "O Brasil é o maior centro financeiro da América Latina", diz o delegado Roberto Precioso Júnior, chefe da Delegacia Regional de Entorpecentes da Polícia Federal em São Paulo. Isso levou o país a se transformar num dos maiores corredores de exportação de drogas do mundo". O Financial Action Task Force, órgão formado por 26 países desenvolvidos, supervisionados pela ONU, calcula que o narcotráfico hoje já supera a indústria do petróleo, representando lucros mundiais de US$300 bilhões. A` exceção dos paraísos fiscais, o Brasil é um dos principais lavadores de narcodólares. Em 91, foram apreendidas em todo o país cerca de quatro toneladas de cocaína destinadas ao tráfico internacional, um recorde histórico. Mas as autoridades consideram que esse volume significa apenas 10% do que os traficantes conseguem fazer passar pelo país. Nas estimativas da PF, o eixo Rio-São Paulo é responsável pela movimentação no atacado de mais de 10 toneladas por ano, multiplicadas por oito quando processadas para consumo. O quilo da cocaína comprado dos produtores (Bolívia, Colômbia e Peru) custa US$3 mil. Ao chegar ao Brasil, o valor dobra para US$6 mil (JB).