Durante a Rio-92, o presidente do Banco Mundial (BIRD), Lewis Preston, se penitenciou publicamente pelos desastres ecológicos decorrentes do projeto Polonoroeste, implantado em Rondônia com financiamentos do BIRD. Apoiando a política de colonização planejada pelos governos militares nas décadas de 70 e 80, o BIRD contribuiu para que aquele estado em poucos anos perdesse mais de 12% de suas florestas tropicais úmicas da Amazônia. Nesta semana, o BIRD decide a concessão de um empréstimo de US$167 milhões para o Plano Agropecuário e Florestal de Rondônio (Planafloro), já autorizado pelo Senado Federal. Um novo desastre ambiental pode estar a caminho. A decisão do BIRD de garantir 73% dos investimentos do Planafloro-- o governo federal investirá US$31 milhões e o de Rondônia outros US$30,9 milhões-- poderá resultar em ocupação de áreas extrativistas já habitadas por seringueiros. Também há o risco de invasões em áreas indígenas, como a Uru-Eu-Wau-Wau, ameaçada por madeireiras e garimpeiros. A concessão financeira do BIRD está sendo questionada por dirigentes de organizações não-governamentais dos EUA, como Steve Schwartzmann, do Environmental Defense Fund, e brasileiras, à frente Brent Mullikan, do Instuto de Estudos Amazônicos (IEA). Os dois denunciarão ao BIRD que o INCRA vem criando projetos de assentamentos em áreas extrativistas, supervalorizando preços de terras, sem ter obtido sequer aprovação do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) (JB).