FGTS VIVE A SUA PIOR CRISE

Criado em setembro de 1966 para ampliar a legislação de amparo ao trabalhador, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) atravessa a pior crise dos 26 anos de existência. A inadimplência dos tomadores de recursos-- uma dívida de US$2,3 bilhões--, a sonegação das empresas, que deixam de recolher 39 em cada 100 cruzeiros devidos, o desmonte do sistema de fiscalização e a malversação nas aplicações vieram se somar à recessão econômica do governo Collor, produzindo um desfalque de US$7 bilhões (Cr$49 trilhões) no patrimônio do Fundo. A situação chega a tal ponto que requer a imediata interferência da
50758 Justiça e da Polícia, constatou o procurador-geral da República, Aristides Junqueira, que desde agosto vem agilizando providências nas esferas cível, para ressarcimento dos danos, e criminal, visando a punição dos culpados. De tão grave, o rombo do FGTS ganhou como fórum de deliberação o Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a abertura de inquérito na Polícia Federal, no qual já está indiciado o ex-ministro do Trabalho Antônio Rogério Magri, acusado de ter recebido US$30 mil para liberar recursos do Fundo para o saneamento do Canal da Maternidade, no Acre. Irregularidades nas aplicações com recursos do FGTS estão sendo apuradas em inquéritos policiais em várias partes do país (JB).