A venda ilegal de liberdade, entre outras formas de corrupção envolvendo presos e guardas, divide o sistema penitenciário do Rio de Janeiro em dois tipos de facção criminosa: os que estão atrás das grades e os que deveriam vigiá-los. Somente na última semana, houve quatro tentativas de fuga e em duas delas os presos chegaram a alcançar a rua. No presídio de segurança máxima Bangu I foram encontradas quatro granadas e duas pistolas. Em todos os casos, foram instauradas sindicâncias sobre a possível conivência dos funcionários. De março de 1991 a junho deste ano, a correição do Departamento do Sistema Penitenciário, que investiga as irregularidades do DESIPE, pediu a instauração de 75 inquéritos administrativos, a maioria envolvendo agentes em crimes de corrupçào-- como a venda de privilégios para detentos e tortura de presos. Crimes de homicídios, corrupção, tortura, furtos e até posse de drogas. Os relatórios sobre inquéritos administrativos parecem provar que, em muitos casos, não há diferenças entre presos e agentes. Entre os casos de corrupção apurados nos inquéritos abertos, estão a falicitação de fugas, a utilização de alvarás de soltura falsos para libertação de presos e venda de privilégios nas unidades. No início deste ano, em uma operação conjunta com a Polícia Federal, a correição do DESIPE desmantelou um esquema de corrupção envolvendo a diretora do Instituto Penal Vicente Piragibe, em Bangu, Margarida da Conceição Leão Pereira. Junto com sua assistente jurídica Marília Pimentel de Mesquita, ela recebia Cr$50 mil por dia (ou Cr$200 mil por semana) de cada preso que quisesse sair por 24 horas da unidade. Apesar dos esforços para desmantelar as "quadrilhas" que atuam do lado de fora das grades- foi criada até uma supervisão noturna para flagrantes-, a correição encontra grandes dificuldades para apurar os casos de corrupção: as testemunhas (presos, guardas honestos e parentes de internos), quando não calam por conivência, calam por medo de represálias (O Globo).