O eventual governo Itamar Franco traria de volta duas teses heterodoxas banidas da política econômica do ministro Marcílio Marques Moreira: uma política de ajuste com crescimento econômico e o combate à inflação com negociações entre patrões e empregados em torno de uma "trégua de salários e preços", segundo expressão usada pelo grupo que assessora o vice-presidente. Ao contrário do atual ministro da Economia, os assessores econômicos de Itamar não acreditam que o mercado sozinho seja capaz de definir o nível ideal de preços e salários. Mas embora insista na necessidade de amenizar a recessão, Itamar está convencido de que terá de promover um severo ajuste fiscal nas contas do governo. Ele tem pedido sugestões para reduzir o desemprego sem provocar efeitos inflacionários na economia. Uma das idéias nesse sentido é modificar a execução do orçamento, para concentrar em grandes programas sociais as verbas de diversos ministérios, hoje pulverizadas em milhares de projetos de interesse paroquial. O governo do vice manterá a abertura comercial, com a redução progressiva das alíquotas de importação. Os conselheiros de Itamar advogam, porém, mudanças no cronograma de redução das tarifas de importação, que, em outubro, devem cair de 21% para 17% na média. Nesse campo, da política industrial, a transição deve ser suave (O Globo).