CRISE NO EMPREGO É MAIOR QUE NA PRODUÇÃO

Descapitalizada, a indústria nacional ganhou produtividade realizando cortes maiores no emprego do que na produção. A queda no emprego industrial em 91 foi recorde: 10,2%. De janeiro a junho deste ano foi de 5,4%. A produção industrial caiu bem menos: 0,5% no ano passado e 3,1% no primeiro semestre de 92. Os dados são do IBGE. O índice de produtividade também cresceu porque os trabalhadores que mantiveram seus empregos eram os mais eficientes. A mão-de-obra dispensada era mais desqualificada. "A maioria das demissões em 91 atingiu os salários mais baixos. Tanto que o salário médio na indústria teve queda de apenas 3,3% em 91 frente a 90", afirma Paulo Gonzaga, economista do Departamento de Indústria do IBGE. Profissionais mais qualificados têm produtividade maior. "Creio que as indústrias já realizaram seus ajustes e este ano o aumento da eficiência da mão-de-obra deve ser menor", afirma. Ao mesmo tempo que a produtividade do trabalho cresce, a indústria nacional investe cada vez menos em tecnologia. Enquanto em 89 foram investidos US$413,4 milhões, em 90 o total caiu para US$146,9 milhões. Em 91, os investimentos em automação industrial chegaram a US$140,3 milhões. As informações são da Sobracon (Sociedade Brasileira dos Comandos Numéricos e Automação Industrial). Os robôs e máquinas de controle numérico foram os principais responsáveis pela queda. "São produtos muito caros para uma indústria sem dinheiro e com maquinário encostado", afirma Roberto Camanho, vice-presidente da Sobracon (FSP).