O Brasil, apesar das promessas do governo Collor, ainda está longe de inserir-se competitivamente no mercado internacional, pelo menos em um aspecto: a adoção de tecnologia limpa nos processos produtivos. O tema vem ganhando importância nos fóruns de duscussões empresariais, mas na prática, parecem ter sido poucos os avanços no setor. O professor José Felício Haddad, do Departamento de Engenharia Sanitária da UERJ, avalia que a falta de progressos significativos na área pode ser creditada à própria dificuldade de aquisição da tecnologia limpa, dominada em grande parte pelos países desenvolvidos. Pelo menos no que se refere a este tipo de tecnologia, Haddad prevê que o processo de abertura econômica não terá grande efeito, visto que dificilmente as indústrias dos países desenvolvidos terão interesse em exportá-la para o Brasil. Ao contrário, a tendência será a de transferir para as economias subdesenvolvidas as indústrias caracteristicamente poluentes, como é o caso da siderurgia. A tese é sustentada pelo professor a partir da constatação de que a capacidade de produzir sem a geração de resíduos industriais já é considerada como mais um parâmetro de competitividade internacional. "No mercado internacional já há exigências quanto ao processo produtivo. É um problema político, de economia internacional, e normalmente a tecnologia fica restrita às matrizes", afirmou. A própria ineficiência da fiscalização pelos órgãos ambientais contribui para reforçar a falta de avanços no setor. Haddad acentua, por exemplo, que a simples troca de utilização de solventes tóxicos (clorados ou aromáticos) por produtos biodegradáveis já representaria uma boa técnica para reduzir-se a produção de sobras industriais contaminadas. Como os solventes biodegradáveis são mais caros, grande parte da indústria nacionai ainda utiliza o produto tóxico. Diante do ritmo lento de adaptação da indústria nacional, a tendência é a perda de competitividade no mercado externo, que vem priorizando a adoção de tecnologia limpa de forma crescente nos últimos dois anos (JC).