SP ORGANIZA FRENTE ANTINAZISTA

Entidades civis, partidos políticos, as comunidades judaicas e negra e líderes de migrantes definiram ontem uma ofensiva comum para responder ao ataque neonazista ocorrido anteontem em São Paulo. A "Rádio Atual", onde funciona o Centro de Tradições Nordestinas, que reúne até 15 mil pessoas nos fins-de-semana, teve seus muros pichados pelos "carecas", os grupos neonazistas de São Paulo. Ontem, na sede da Federação Israelita do Estado de São Paulo, foi criado um fórum permanente e uma agenda contra o neonazismo. Participaram PT, PDS, PMDB, PSDB e PDT, OAB, Comissão de Justiça e Paz, Federação Nacional dos Engenheiros e a Força Sindical. Hoje, os membros do novo fórum permanente têm reunião com o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco Campos. Na semana que vem, será divulgado um manifesto repudiando a "escalada nazista". Também ontem, o delegado Claudio Gobbetti abriu inquérito no 40o. DP para investigar as pichações. Os rapazes que picharam a rádio deverão ser indiciados sob a acusação de discriminação racial e religiosa. A pena vai de dois a cinco anos de prisão. Há um movimento por trás dos carecas. Não são apenas adolescentes
50718 rebeldes. Há líderes que embutem idéias na cabeça dos jovens, que acabam
50718 acreditando na bandeira nazista, disse Jayme Bobrow, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo. A prefeita Luiza Erundina (PT) disse estar disposta a "convocar um grande movimento contra essa barbárie" (FSP).