AUMENTO DA CONCORRÊNCIA BAIXA TARIFAS E AFETA O DESEMPENHO

A pulverização do mercado, com o aumento da concorrência a partir da entrada de inúmeras pequenas firmas, está afetando o desempenho das principais empresas do setor de transporte internacional que atuam no MERCOSUL e possuem sede no Rio Grande do Sul. Segundo o diretor superintendente da Mercúrio S.A. Transportes Internacionais, de Porto Alegre, Gaspar Alberto Fração, também delegado gaúcho da Associação Brasileira dos Transportadores Internacionais (ABTI), a formação dessas novas empresas, após a desregulamentação adotada pelo Ministério dos Transportes, no ano passado, não foi acompanhada por um proporcional aumento de carga. Com isso, explica ele, houve uma redução tarifária média de 20% a 30%, enquanto os custos operacionais e fixos subiram, em dólar, cerca de 50% na Argentina, de 20% a 30% no Uruguai e perto de 20% no Brasil. O desequilíbrio, no caso da Mercúrio-- que possui 25 anos de atuação no Brasil, Chile, Uruguai e Argentina, e opera com 97 veículos e 150 funcionários-- impede a ampliação e renovação da frota que possui, em média, com oito anos de uso. "Temos que renovar 20% da frota ao ano, mas as tarifas não permitem a aquisição de novos veículos", disse ele, revelando que, neste ano, a empresa adquiriu somente três novos caminhões e 10 veículos seminovos, com dois a três anos de uso. Além disso, a Mercúrio possui uma capacidade operacional para movimentar seis mil toneladas ao mês, mas a concorrência forçou a diminuição para um movimento real de quatro mil toneladas por mês de carga geral, três mil das quais do Brasil para a Argentina, sobrecarregando essa linha enquanto as demais linhas regionais estão em ociosidade. "Com as estradas do jeito que estão, greves de Receita Federal e essa concorrência, muitas empresas devem sair do mercado", prevê ele. A opinião é compartilhada pelo assessor da diretoria da Expresso Rio Grande - São Paulo S.A., Paulo Chies, de Novo Hamburgo (RS), para quem a possibilidade de negócios no MERCOSUL ainda não ocorreu de fato. Segundo ele, os custos, em dólar, subiram de 20% a 30% no último ano, enquanto as tarifas se deterioraram por causa do aumento de concorrência. A Expresso Rio Grande - São Paulo atua exclusivamente entre o Brasil e o Uruguai, há 29 anos, com 50 caminhões cadastrados. Sua capacidade de transporte varia de quatro mil a cinco mil toneladas mês, e a idade média da frota também se aproxima dos oito anos (GM).