O diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, disse ontem, em Washington (EUA), após o término da reunião conjunta anual com o BIRD, que a instituição não apóia o governo brasileiro, "mas o país, em seu programa", ao ser perguntado sobre a possibilidade de o presidente Fernando Collor ser substituído pelo vice-presidente Itamar Franco. "Temos excelentes relações com o atual governo, mas continuaremos apoiando sempre os programas que sejam voltados para o crescimento econômico", afirmou. Coisas interessantes acontecem no Brasil "apesar de o ministro Marcílio dizer que o programa de ajustes está suspenso", ressaltou Camdessus, mencionando entre elas o esforço para controlar a moeda, o nível das reservas cambiais, a privatização e a abertura econômica. Camdessus disse que nem todo o desejado foi feito. "É o caso, por exemplo, da reforma fiscal, pois o Congresso está mais ocupado com outras coisas", afirmou. O diretor-gerente do FMI também fez crítica enfática à tese de dolarização da economia brasilira: "O Brasil não precisa de dolarização. O Brasil precisa de um governo e de um programa econômico. O Fundo faz programa econômico. Infelizmente não faz governo", disse (O ESP).