BIRD ANALISA AS CONDIÇÕES PARA DOLARIZAR

Uma dolarização, no Brasil, do tipo argentino, pode acabar com a inflação, mas apenas se forem cumpridas algumas duras precondições. Entre elas, um ajuste fiscal que gere superávit primário do setor público de 6% do PIB, uma ampla abertura prévia da economia e um volume de reservas cambiais superior ao total da base monetária mais uma parte substancial dos títulos públicos. Esta é a conclusão de um estudo confidencial feito por um economista sênior do departamento que cuida do Brasil no Banco Mundial (BIRD), Valeriano F. García. O estudo faz uma pesada crítica à política econômica do ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, classificando-a, a certa altura, como "gradualismo aguado". Em contraste, elogia o efeito do Plano Collor, da ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, ao permitir a volta do financiamento do déficit público por emissão monetária e não por endividamento federal no "overnight", o que levava-- e voltou a levar, recentemente-- a taxas crescentes de juro. As críticas feitas a Marcílio refletem claramente as dúvidas do BIRD em relação à eficácia do plano de ajuste aprovado pelo FMI-- como, aliás, o banco deixou claro ao Fundo desde o início. O estudo conclui que nem a política fiscal nem a monetária, apesar dos juros altos, têm sido austeras ou eficazes. "A estratégia (da política de Marcílio) levou a altas taxas de juro, aumento no endividamento público, desemprego e não conseguiu reduzir a inflação de nenhuma forma significativa", observa o estudo (GM).