INDÚSTRIA FARMACÊUTICA RETOMA INVESTIMENTOS

A liberação dos preços dos remédios, a partir de setembro de 1991, já permitiu às indústrias recuperar margens de lucro e retomar investimentos. Operando com quase 80% de sua capacidade produtiva, o setor destina neste ano cerca de US$100 milhões para a modernização e ampliação de suas plantas, segundo a ABIFARMA (Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica). A meta é renovar, em cinco anos, 40% do parque industrial brasileiro, composto por cerca de 400 indústrias. Rumo ao MERCOSUL, a Glaxo está investindo US$8,5 milhões na construção de uma nova fábrica no Rio de Janeiro. A produção dessa unidade, cujo carro-chefe será o Aerolin Spray, pretende ter como destino prioritário Argentina, Chile e Uruguai, de acordo com José Eduardo Bandeira de Mello, vice-presidente executivo da ABIFARMA. Outros exemplos são a Biogalenica (do grupo Ciba Geigy), que até agosto investiu US$11 milhões e já tem previstos mais US$24 milhões até 1994. E o laboratório Farmasa, que destinou US$6 milhões para renovação de maquinário e aperfeiçoamento de controle de qualidade. Os remédios subiram 542,50% de janeiro a agosto deste ano, acima dos 419,95% acumulados pelo IGP-M. O setor deve faturar cerca de US$3,2 bilhões neste ano (US$3 bilhões em 1991). O Conselho Federal de Farmácia, em Brasília (DF), está defendendo a volta do controle de preços dos medicamentos e uma nova política para abastecer os 70 milhões de brasileiros desasistidos. A alta de preços provoca desabastecimento na rede pública (FSP).