Depois de terem passado pelo menos uma década no papel de vilões da economia mundial, sempre criticados nas reuniões anuais do FMI/BIRD por deixarem de adotar políticas eficientes, os países em desenvolvimento acabam de saltar para o outro lado. Eles foram apontados ontem pelo diretor-gerente do Fundo, Michel Camdessus, no discurso de abertura da atual assembléia, como "exemplos inspiradores para todos os demais". Camdessus disse aos ministros dos países ricos que eles deveriam olhar com mais atenção e, por fim, imitar a estratégia adotada por boa parte dos países latino-americanos em sua recuperação. Essa estratégia, disse, é uma combinação de sete pilares: 1) consolidação fiscal, incluindo a redução de excessivos gastos militares ou subsídios, e uso eficiente de recursos; 2) uma firme política monetária antiinflacionária, liberalização do setor financeiro e realismo nas taxas de câmbio; 3) ousada abertura da economia ao comércio internacional, ao capital estrangeiro e à competição; 4) liberalização de preços; 5) reforma das empresas públicas; 6) adaptação criativa de política sociais, para melhorar o funcionamento dos mercados de trabalho e tornar as redes de segurança social mais efetivas; 7) uma boa governabilidade, que reúne todos esses elementos (O Globo) (GM).