CRESCE 140% AS EXPORTAÇÕES PARA ARGENTINA

O Brasil responderá este ano por metade do déficit comercial total da Argentina, que deve superar os US$2 bilhões. A previsão é do embaixador argentino no Brasil, José Manuel de la Sota. Além da valorização do peso-- que encareceu e diminuiu as exportações argentinas-- e da recessão no Brasil, que forçou a indústria nacional a se orientar para o mercado externo, o embaixador cita como fator que favorece a invasão de produtos brasileiros a diferença nos salários e tarifas elétricas entre os dois países que tornam mais altos os custos de produção argentinos. Entre janeiro e junho, o Brasil reverteu os resultados do comércio bilateral dos últimos anos e obteve superávit de US$811 milhões. As exportações para a Argentina cresceram mais de 140% sobre igual semestre de 1991. Até o final do ano, as previsões apontam para saldo mínimo de US$1,2 bilhão em favor do Brasil. A FIESP não considera que a tarifa elétrica favoreça o Brasil no comércio com a Argentina. Sérgio Bergamini, diretor da entidade, disse não ser possível comparar os custos da energia nos dois países. "Nós usamos água, enquanto eles usam urânio e petróleo", disse. Ele discorda que a energia no Brasil seja subsidiada, como alegam a Argentina e organismos como o Banco Mundial. Eles não levam em conta, disse, que as empresas são obrigadas a arcar com os custos de um empréstimo compulsório de 40% da conta de energia mais ICMS de 18%. Quanto ao custo da mão-de-obra-- o salário-mínimo na Argentina é de US$200; no Brasil, US$90--, Bergamini diz que o valor do salário não traduz a realidade. É preciso levar em conta o salário indireto, referente a impostos sociais, diz. "É como se tivéssemos um empregado fantasma para cada contratado" (FSP).