Agressões à natureza, diferenças regionais, desigualdades sociais e conflitos de terra que acontecem no Brasil estão desenhados no "Atlas Nacional do Brasil", lançado ontem pelo IBGE. O atlas reúne 300 mapas que atualizam a ampliam a edição anterior, lançada em 1965, com informações econômicas, sociais e geográficas que pretendem traçar um perfil do Brasil. Pela primeira vez, é produzido um mapa relacionando as espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção. O IBGE detectou 303 espécies diferentes sob o risco de serem extintas. O processo de interiorização da população, com deslocamentos do litoral em direção ao Centro-Oeste e ao Norte, é uma das conclusões obtidas pelos técnicos do Instituto. Esses deslocamentos têm provocado destruição mais acelerada da vegetação nativa dessas duas regiões brasileiras. Os conflitos de terra, apesar de espalhados por todo o país, concentram-se com mais intensidade no Sul do Pará, tendo como uma das causas apontadas a migração populacional. Um mapa com as mortes em conflitos de terra aponta o assassinato de 93 pessoas entre 1970 e 1987, no Sul do Pará. O mapeamento mostra que em áreas desmatadas da Amazônia começa a faltar água, principalmente ao sul dos Estados do Acre, Rondônia e Pará. Essa falta de água é causada pelo desmatamento, que provoca evaporação mais intensa e reduz o volume do leito dos rios. Um mapa das condições agrícolas revela que 35,3% dos solos brasileiros são desaconselháveis para a agricultura. Apenas 5% são classificados como excelentes, 10% são bons ou muito bons e 30% estão entre regular e bom. A utilização de agrotóxicos é uma prática nacional, com maior incidência nas plantações de soja, arroz, trigo e cana-de-açúcar. Outro dado relacionado pelo IBGE revela que 97% das escolas em áreas rurais têm somente uma sala de aula. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste menos de 50% das professoras têm segundo grau. As emissoras de televisão brasileira atingem 100% do território nacional. O atlas é uma consolidação de pesquisas e informações divulgadas em outras publicações do IBGE e levantamentos de diversos órgãos do governo federal (FSP).