A incerteza sobre o desfecho (tempo e resultado) da crise política fez crescer muito, nos últimos dez dias, a frequência de líderes políticos de diferentes partidos aos gabinetes dos chefes das Forças Armadas. Esses encontros têm sido marcados pelo interesse dos políticos em sondar os limites da anunciada disposição dos chefes militares de não intervir na crise. A sondagem, em geral, tem sido feita sobre dois cenários básicos. No primeiro caso, com a hipótese de o presidente Fernando Collor de Mello permanecer no poder. No segundo caso, na eventualidade de um governo do vice-presidente Itamar Franco enfrentar até mesmo um processo de desestabilização. O mais procurado pelos líderes políticos tem sido o ministro da Marinha, Mário César Flores. Com ele, nos últimos dias, estiveram, entre outros, o senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), o deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP), Paes Landim (PFL-PI) e José Genoíno (PT-SP). Do almirante Flores ouviram-- e confirmaram com o general Carlos Tinoco, ministro do Exército, e o brigadeiro Sócrates Monteiro, ministro da Aeronáutica-- a reafirmação de que as Forças Armadas não irão intervir. Foi-lhes indicada, entre outras razões, uma esencialmente política: "Nada temos a ver com a geração que fez o AI-5. Esta é uma geração de militares que, se possível, deseja vangloriar-se de entrar para a história por não intervir numa crise política" (GM) (JC).