As quantias bilionárias gastas em reformas de escolas públicas são resultado de um pacto velado entre governos e empreiteiras. A opinião é do ex-secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro, Moacyr de Góes, que esteve à frente da Secretaria em 1987 e 1988. O ex-secretário disse ter notado, em sua administração, que as empreiteiras usam materiais de qualidade inferior na construção e na reforma de escolas e que os governos, por sua vez, colaboram com a farsa, "fazendo vista grossa". Como exemplo, citou o caso dos CIEPs, que, com poucos anos de uso, apresentaram problemas de infiltração. Ele diz ter descoberto que as empreiteiras usaram, na laje superior, placas com espessura menor do que a que estava prevista no projeto. As empreiteiras roubam e os governos colaboram, pois não fiscalizam se
50602 são usados os materiais previstos. Isso é roubo, porque as empresas
50602 ganham para usar um tipo de material mais resistente, mas economizam
50602 trocando por outro mais barato, que acaba se deteriorando, disse. Somente para reformar uma escola, a José do Patrocínio, em Irajá, a prefeitura do Rio de Janeiro vai pagar Cr$1,9 bilhão (O Globo).