A equipe negociadora da dívida externa brasileira fechou na madrugada de ontem o "term-sheet" (protocolo do acordo) de renegociação da dívida de US$42 bilhões com o comitê de bancos credores, em Nova Iorque (EUA). O contrato será agora submetido ao Senado Federal, enquanto os bancos têm 70 dias para responder formalmente ao comitê sobre sua decisão de se submeter a seus termos. A assinatura do protocolo, que segundo um alto funcionário do FMI foi "o melhor que poderia acontecer neste momento", surpreendeu os próprios banqueiros pela rapidez com que aconteceu. Assim que houver adesão de 95% dos bancos, o Brasil terá que desembolsar a primeira das três parcelas referentes a 50% dos juros da dívida, incidentes no período posterior à negociação do acordo (junho último). Segundo um membro da comitiva brasileira que acompanha o ministro Marcílio Marques Moreira à reunião anual do FMI e do BIRD, iniciada ontem, em Washington (EUA), o apoio do Fundo e do governo norte-americano foi fundamental para o êxito das negociações. A delegação brasileira conta como certa e rápida a aprovação do "term-sheet" pelo Senado. O senador José Fogaça (PMDB-RS), que participa da reunião anual do FMI/BIRD, disse que "os interesses do Brasil estão acima da crise política". E o ministro afirmou que "a economia de mercado-- ainda que incipiente-- assim como o funcionamento das instituições, mostram que o país tem um rumo" (O Globo) (JB).