O presidente Fernando Collor assumiu com a bancada ruralista no Congresso o compromisso de vetar o projeto de reforma agrária em troca de votos contra o Impeachment". Os deputados ligados à UDR (União Democrática Ruralista) estão criando um clima de radicalização junto aos produtores rurais sobre as ameaças da reforma agrária, para forçá-los a pressionarem seus parlamentares a votar com Collor. O projeto do senador Pedro Simon (PMDB-RS), já aprovado pelo Senado, dá aos governos estaduais poder de desapropriar terras para fins de reforma agrária. A falta de uma definição por parte do vice-presidente Itamar Franco quanto à política agrícola deixa os ruralistas apreensivos no caso de aprovação do Impeachment". Essa decisão do Senado sobre desapropriações nos preocupa, porque os
50584 governadores podem usar de critérios políticos, disse o diretor da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), Paulo Carnero. O projeto do Senado ainda terá que ser votado na Câmara antes de ser vetado ou sancionado pelo presidente da República. O Banco do Brasil vem atendendo com prioridade todos os pedidos dos deputados ruralistas de liberação de recursos de custeio para o plantio da safra de 1992/93. O dinheiro acaba sendo direcionado a produtores rurais que têm afinidade com esses parlamentares. Já foi liberado mais de Cr$1,5 trilhão neste semestre aos produtores. O ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, vem fazendo reuniões públicas em diversas regiões do país para propagandear a política agrária do governo (FSP).