A indústria automobilística brasileira não terá condições de competir com os japoneses quando a alíquota de importação de carros cair para 35% em julho de 1993. A afirmação é do presidente da ANFAVEA, Nelson Tavares Filho, que participou ontem, no Rio de Janeiro do seminário "Avaliação e Perspectivas da Abertura Comercial", promovido pela CNI. Segundo ele, a velocidade atual da abertura econômica leva as indústrias a conviver com um cenário de incerteza muito grande. "O tempo de montagem de um carro japonês é de 16 horas, enquanto no Brasil esse prazo é de 45 horas". Para o setor, ressaltou, a abertura é importante, até por fazer parte de uma estratégia das matrizes: "O problema é o timing", ressalta. O presidente da ABIQUIM, Carlos Mariani, observou que o mercado mundial de produtos químicos movimenta anualmente US$200 bilhões e trabalha com preços diferenciados para o mercado doméstico e o externo. A reclamação do setor químico é quanto à alíquota de 15% que começa a vigorar a partir do dia 1o. de outubro, contra os 20% de agora, frente aos 12,5% das tarifas européias e norte-americanas. O secretário nacional adjunto de Economia rebateu as reclamações mostrando que não houve nenhuma explosão de importações a partir da abertura. Ele observou que o rebaixamento das alíquotas (de 21,7% para 16,8%) irá representar uma queda média de apenas 4% em relação a 1990. Quanto aos pedidos de alteração do cronograma, Maciel disse que isso seria mudar as regras do jogo em andamento, o que comprometeria as bases do processo de privatização. Ele lembrou que a abertura está sendo feita de forma gradual, com câmbio realista e utilizando a legislação antidumping, garantindo que serão feitas revisões, que chama de ajuste fino, sempre que necessário. Maciel justificou a antecipação do prazo de redução de alíquotas dizendo que a medida era necessária para começar o alinhamento do comércio exterior brasileiro, com vistas ao MERCOSUL (JB).