Sinais de rivalidade aparecem pela primeira vez na então aparente tranquilidade do processo de integração dos mercados dos países do Cone Sul. Os industriais argentinos estão pressionando seu governo contra o que consideram uma invasão de produtos do Brasil. Os números dão, aparentemente, razão a eles: o superávit brasileiro com a Argentina deve passar de US$1 bilhão este ano. Um estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) sugere que se alguma coisa errada existe no intercâmbio entre os dois principais países do MERCOSUL ela ocorre do lado argentino da fronteira. E tem a ver com a dolarização do ministro Domingo Cavallo. "Tendo em vista a existência de uma inflação reduzida mas ainda não desprezível, a manutenção de uma taxa de paridade fixa tem corroído, ao longo dos meses, a competitividade dos produtos argentinos". O estudo mostra que os produtos brasileiros não são os únicos beneficiários desta situação, que atinge tudo que a Argentina adquire no exterior. "As importações globais da Argentina dobraram entre 1990 e 1991", relata. A CNI argumenta que o programa de incentivos à exportação brasileira está aquém das necessidades, que as restrições orçamentárias impedem o financiamento adequado das vendas e que os preços das tarifas públicas não dão grandes vantagens competitivas ao Brasil-- ao contrário do que supõem os empresários argentinos. O estudo sugere que o preço da mão-de- obra brasileira também não é inferior ao argentino. "O custo do trabalho por unidade de produto pode ser até muito alto, superior, por exemplo, ao da Argentina", conclui o estudo (FSP).