Em depoimento à Polícia Federal, no último dia 12, em Brasília (DF), o traficante argentino Luiz Mario Nunez acusou o empresário Paulo César Farias de envolvimento com o narcotráfico. Nunez disse que também estavam envolvidos no tráfico o piloto Jorge Bandeira de Mello, sócio de PC na Brasil-Jet, e o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Luiz Romero Farias, irmão de PC. O traficante informou que, a mando dos três, levava éter e acetona para Bolívia, Colômbia e Paraguai. Na viagem de volta, trazia cocaína refinada e pasta de coca. No início de 1990, em menos de dois meses, teria transportado mais de 500 quilos da droga. Nunez foi levado à PF por repórteres da revista IstoÉ. Segundo seu depoimento, o avião utilizado para o transporte da droga era um Cessna. Em território brasileiro, a rota incluía as cidades de Porto Murtinho (MT), Guajará Mirim (RO), Porto Real do Colégio (AL) e Arapiraca (AL). Nesta última, a droga seria entregue aos representantes do esquema PC. De acordo com seu depoimento, PC, Bandeira e Luiz Romero chegaram a receber pessoalmente lotes da droga. Nunez disse ainda que, em 1990, recebeu de PC a missão de matar um candidato a senador pelo Estado de Sergipe (seu nome não foi revelado). Participaria do assassinato um piloto chamado Jurandir, que trabalhava com Nunez no transporte da droga. O traficante disse à PF que se arrependeu de ter aceito a proposta de PC. Ele teria desistido do assassinato e relatado tudo ao candidato a senador. Dias depois disto, segundo disse à PF, o piloto Jurandir foi encontrado morto. Nunez, então, teria passado a sofrer ameaças de morte e atentados. Ele disse que foi a partir deste episódio que decidiu abandonar o tráfico. O delegado Paulo Lacerda, que preside o inquérito do caso PC, recebeu com reservas o depoimento de Nunez. Lacerda não exclui a possibilidade de o traficante ter sido contratado para relatar à PF uma história verdadeira com personagens trocados, com o objetivo de desmoralizar as investigações. A PF decidiu realizar investigações paralelas sobre o caso (FSP) (O Globo) (JB).