A CEF (Caixa Econômica Federal), um dos braços políticos do presidente Collor na luta contra o Impeachment", vive uma situação crítica, segundo relatório confidencial preparado por uma comissão formada por técnicos da SEPLAN, Tesouro, Banco Central e da própria Caixa a pedido do Ministério da Economia. No dia 20 de julho, a CEF sacou Cr$400 bilhões de suas reservas bancárias para compensar um forte desajuste de caixa, que exigiu a busca de mais Cr$1,4 trilhão no mercado interbancário. O saque das reservas é considerado uma atitude extremada de qualquer instituição financeira para fechar suas posições diárias e resulta em severas punições pelo BC, porque aumenta o volume de dinheiro em circulação, o que significa uma pressão inflacionária. Nesse caso, o BC dispensou a punição. O rombo (déficit entre passivo e ativo) em 31 de dezembro de 91 era de US$1 bilhão. O quadro é considerado ainda mais grave devido à natureza dos depósitos a curto prazo. Do total, 38,55% são depósitos judiciais. O décifit de caixa da instituição cresce a cada mês, diz o relatório. Em 15 de maio foi calculado em Cr$1,1 trilhão. O relatório menciona também a dívida que o Tesouro mantém com a CEF-- Cr$8,2 trilhões em valores de hoje-- e propõe várias alternativas de pagamento, a maioria prevendo emissão de títulos. O Ministério da Economia aceita emitir os títulos, mas não permite que sejam convertidos em moeda num curto prazo, como quer o presidente da instituição, Álvaro Mendonça, para reforçar seu caixa e atender a demanda política por novos empréstimos (FSP).