PEQUENO PRODUTOR FAZ CRÍTICAS

Os pequenos produtores rurais brasileiros estão sendo marginalizados na integração do MERCOSUL, segundo entendimento de líderes deste segmento no Paraná. "É verdade que dormimos no ponto, devido à nossa dificuldade de mobilização para reivindicar maior participação no processo", disse Antônio Lúcio Zantonello, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (FETAEP). "Mas, por outro lado, o governo precisa considerar nossas permanentes dificuldades de crédito e acesso à tecnologia antes de nos expor à concorrência com outros países, principalmente a Argentina. Não podemos andar a 200 quilômetros por hora mantados em bicicletas", comentou Zantonello durante o I Encontro Estadual do MERCOSUL para pequenos produtores, que teve início ontem e encerra-se hoje em Curitiba, com a participação de 100 presidentes de sindicatos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A queixa dos agricultores é pertinente, na opinião de Constantino Soares Souto, secretário executivo do subgrupo B do MERCOSUL (que trata da agropecuária e agroindústria). "A fase de construção das negociações realmente privilegiou setores com maior capacidade de mobilização", admitiu. Mas, baseados nesses erros, os estudos sobre a integração foram reavaliados e, segundo Souto, do final do ano passado para cá as reuniões dos diversos setores passaram a ocorrer diretamente nos estados com maior pedo de produção, de forma a facilitar a participação inclusive de segmentos mais frágeis. Os pequenos produtores, particularmente, poderão recuperar o atraso em relação ao processo através de três novos fóruns de discussão, criados no encontro dos paíse do MERCOSUL, em Las Len~as, na Argentina, no final de julho. Um desses fóruns será especificamente para discutir a questão da integração dos pequenos produtores. Outro, denominado fórum de reconversão, discutirá os segmentos produtivos que, durante o processo de integração, não tiveram condições de avançar em competitividade (GM).