A maioria dos compromissos assumidos pelo presidente Fernando Collor em junho durante a Rio-92 não saiu do papel. Os recursos de US$114 milhões para o Programa Nacional de Meio Ambiente continuam à disposição do governo no BIRD (Banco Mundial) e o dinheiro do Fundo Nacional de Meio Ambiente para financiar 300 projetos na área ambiental não foi utilizado. A denúncia foi feita ontem da tribuna da Câmara dos Deputados pelo presidente da Comissão do Meio Ambiente, deputado Tuga Angerami (PSDB-SP), que também acusou o governo de permitir o desvio de recursos de uma linha de crédito do BIRD de US$30 milhões acertada na Rio-92. Segundo o deputado, ficou firmado na ocasião que os recursos seriam utilizados em programas para as áreas de conservação ambiental, mas estão sendo destinados a um único órgão, o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, com sede no Rio de Janeiro. O deputado acusou ainda o presidente Collor de descumprir a promessa feita na abertura da conferência de adotar medidas para reduzir as queimadas na região amazônica. A verba para a operação das queimadas só foi liberada pelo governo no início deste mês, quando já havia terminado o período de seca (JB).