MODERNIZAÇÃO DO SISTEMA DE TRANSPORTES

O Nordeste não será beneficiado pela criação do MERCOSUL se o sistema de transportes do país, especialmente o marítimo, não for modernizado. A opinião é de João Carlos Paes Mendonça, presidente do Grupo Bompreço, que participa da mesa de debates do Seminário Informativo sobre o MERCOSUL, promovido pela SUDENE e Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR), no Recife (PE). Segundo ele, não é fácil integrar o Nordeste ao MERCOSUL devido à distância. Por isso defende a desregulamentação dos portos e a privatização dos serviços portuários. "Sem a modernização do sistema de transportes, não há chances para o empresário nordestino porque o frete se torna impeditivo". Mendonça agredita que o empresariado do Nordeste tem de estar mais atento às decisões sobre o MERCOSUL. O turismo, segundo ele, seria o caminho mais fácil para reforçar o intercâmbio entre os países com a participação do Nordeste. O Grupo Bompreço (supermercados, avicultura, agroindústria, transportes, cartões de crédito e comunicações), que no ano passado faturou cerca de US$800 milhões, pretende com o fortalecimento do MERCOSUL intensificar as exportações do seu setor agroindustrial e as importações de cereais, frutas secas e peixes. O ministro-chefe da SDR, Ângelo Calmon de Sá, disse que o MERCOSUL representa "uma questão de interesse estratégico para o desenvolvimento nordestino e para a expansão dos empreendimentos privados da região", mas não detalhou os caminhos que os estados nordestinos teriam de percorrer para integrar-se ao MERCOSUL. O subsecretário-geral de Integração e Promoção Comercial do Itamaraty, Rubens Barbosa, concordou com as observações de Paes Mendonça, ao afirmar que o MERCOSUL surge como um elemento didático para a economia brasileira. "Com ele, estamos aprendendo a reduzir tarifas e a desregulamentar a economia, como vem ocorrendo nos países mais desenvolvidos", disse (JB) (GM).