Paulo Roberto Gomes tem seis meses de idade e mora na Praça Tiradentes, no Centro do Rio de Janeiro (capital), onde nasceu, com os pais, Ubirajara e Cristina. Ubirajara sustenta a família com o dinheiro que consegue catando papel na praça-- o que dá à família um rendimento mensal per capita inferior a meio salário-mínimo (cerca de Cr$260 mil). Paulo Roberto se enquadra no perfil traçado pelo IBGE para as crianças e adolescentes do Grande Rio: 50,9% deles vivem em famílias com renda mensal per capita de menosde um salário-mínimo. Em números absolutos, isso significa 1,7 milhão de crianças e adolescentes com idade entre zero e 17 anos vivendo com uma renda mensal inferior a Cr$522.186,94. Deste total, 836 mil crianças vivem, de acordo com os padrões estatísticos adotadas pelo IBGE, abaixo da linha de pobreza-- com renda menor do que meio salário-mínimo. Segundo o IBGE, 47% (em torno de 390 mil crianças e adolescentes) vivem em condições inadequadas de saneamento básico. Os números da pobreza empurram as crianças para o trabalho fora de casa. Quase 15% dos jovens entre 10 e 17 anos têm alguma atividade para ajudar no sustento da família. A maior parte (30,2%) opta pela prestação de serviços: são empregados domésticos, guardadores de carros. Logo depois vem o comércio de mercadorias, que ocupa 23,1% da população que trabalha nessa faixa etária. Empurrados para fora de casa pela necessidade de ajudar a família, 64,4% dos jovens entre 10 e 17 anos trabalham mais de 40 horas por semana para receber em média um salário-mínimo. Deste total, apenas 15,6% conseguem ter sua carteira de trabalho assinada. Ainda de acordo com a pesquisa, 13,7% das mulheres são chefes de família. Os dados do IBGE mostram ainda que 16,5% dos jovens entre 10 e 17 anos que vivem no Grande Rio não estudam. Este índice aumenta na faixa etária entre 15 e 17 anos, onde 31,1% estão fora das escolas e 12,7% das crianças entre sete e 14 anos são analfabetas. O índice de analfabetos do Grande Rio é considerado curioso pelos pesquisadores do IBGE. A região metropolitana do Rio é uma das áreas do país com maior taxa de escolarização-- 90,9% da população em idade escolar (entre sete e 14 anos) tem acesso às escolas-- mas comparado com esse número, o índice de analfabetismo é alto. Outro dado: apenas 29% dos jovens entre 15 e 17 anos conseguem completar o 1o. grau (O Globo).