A informação de que a Argentina poderia se retirar do MERCOSUL, publicada ontem pelo diário argentino "Ambito Financeiro", surpreendeu o Itamaraty, empresários e consultores de comércio exterior brasileiro. De acordo com a publicação, o ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, teria revelado que o país desistirá do tratado se o Brasil "não colocar sua economia em ordem" num prazo de dois meses. A notícia, no entanto, foi desmentida pelo chanceler argentino, Guido di Tella. A reportagem, sob o título "Argentina poderia abandonar o MERCOSUL", mostra que Cavallo teria sido convencido das desvantagens do MERCOSUL para seu país pelo diretor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Stanley Fischer, no caso de a Argentina ter a intenção de se integrar ao NAFTA, formado pelos EUA, Canadá e México. A aposta argentina no MERCOSUL, segundo Stanley, seria arriscada principalmente em razão dos problemas econômicos e políticos do Brasil. A intenção de Cavallo seria reforçada pela insatisfação dos empresários argentinos em relação ao crescimento do superávit brasileiro no comércio bilateral. Ao negar as informações publicadas pelo diário, o chanceler argentino disse que o MERCOSUL "anda muito bem". "Se não houvesse protestos de todos os lados, significaria que não estaria havendo avanço", afirmou di Tella. Ele garantiu que a Argentina manterá os esforços para a integração do MERCOSUL, rassaltando que o Brasil deverá emergir da atual crise política com solidez institucional. Com o desmentido feito por di Tella, o Itamaraty decidiu ontem, em Brasília, não comentar a notícia de que a Argentina abandonaria o MERCOSUL. A notícia publicada pelo jornal argentino é muito estranha e não
50488 acredito que seja verdade, disse Michel Alaby, vice-presidente da ADEBIM (Associação de Empresas Brasileiras para Integração no MERCOSUL). O presidente Carlos Menem negou que a Argentina possa abandonar o MERCOSUL devido aos problemas políticos e econômicos que afetam o Brasil para unir-se ao NAFTA. "O ingresso no NAFTA pode ocorrer, é natural que a Argentina queira ampliar sua atuação nos organismos regionais e internacionais, mas não está em nosso pensamento, em nenhum momento, e isso já foi analisado por nós, abandonar o MERCOSUL no caso de agravar-se a crise política brasileira e, por conseguinte, a econômica", afirmou Menem em resposta à notícia publicada pelo jornal "Ambito Financeiro". Um porta-voz do Ministério da Economia da Argentina disse que o ministro Domingo Cavallo preferia não pronunciar-se sobre o assunto por dois motivos: 1) trata-se "de uma invenção do jornal" que não mereceria resposta; 2) abandonar o MERCOSUL nunca chegou a ser considerado no Ministério da Economia (O ESP) (JB) (GM).